
Você acorda com o pescoço duro, gira a cabeça com cuidado e a primeira suspeita cai sobre o travesseiro. Muitas vezes com razão. A cabeça passa a noite inteira apoiada nele, e se a altura ou a firmeza não combinam com o seu corpo, o pescoço passa horas numa posição torta.
Não existe travesseiro ideal para todo mundo. Existe o que funciona para o seu jeito de dormir e para o tamanho dos seus ombros, e dá para escolher com critério.
o objetivo é o pescoço alinhado
A referência é simples. Deitado, a cabeça deve ficar mais ou menos na linha da coluna, como fica quando você está em pé olhando para frente. Nem caída para baixo, nem empurrada para cima.
Travesseiro baixo demais deixa a cabeça cair. Alto demais dobra o pescoço. Nos dois casos, os músculos e as articulações da coluna cervical passam a noite tensos de um lado e esticados do outro. De manhã, a conta chega.
altura: depende de como você dorme
A altura certa muda conforme a posição. É o critério que mais pesa.
Quem dorme de lado precisa do travesseiro mais alto, porque ele tem que preencher o espaço entre a orelha e a ponta do ombro. Ombros largos pedem mais altura que ombros estreitos. Um bom teste é pedir para alguém olhar você deitado de lado: o nariz deve apontar para frente, alinhado com o meio do peito, sem inclinar para o colchão nem para o teto.
Quem dorme de barriga para cima precisa de um travesseiro mais baixo, que apoie a curva do pescoço sem empurrar o queixo em direção ao peito. Se você sente que está olhando para os pés, está alto demais.
Quem dorme de bruços precisa do mais baixo de todos, quase plano, ou de nenhum. Essa posição já obriga o pescoço a ficar girado a noite toda, e um travesseiro alto aumenta a torção.
Quem troca de posição durante a noite costuma se dar melhor com uma altura intermediária, ou com um modelo que tenha um lado mais alto e outro mais baixo.
O colchão também interfere. Num colchão macio o ombro afunda mais, e o travesseiro de quem dorme de lado pode precisar ser um pouco mais baixo do que num colchão firme.
firmeza: ele precisa sustentar
Um travesseiro que parece alto na loja pode virar panqueca minutos depois de você deitar. O que conta é a altura que ele mantém com o peso da cabeça em cima.
Firme demais, ele não se acomoda à curva do pescoço e cria pontos de pressão. Mole demais, afunda e perde a altura. O meio-termo tem um pouco de gosto pessoal, mas a regra vale para todos: a cabeça precisa ficar na mesma altura do começo ao fim da noite.
Um teste caseiro para travesseiro de fibra: dobre ao meio. Se ele não volta sozinho, perdeu a sustentação.
material: o que cada um oferece
- Espuma viscoelástica, a chamada espuma da NASA: molda ao formato da cabeça e do pescoço e mantém a altura. Esquenta mais e pede um período de adaptação.
- Látex: firme e elástico, volta ao formato rápido e é mais fresco que a viscoelástica. Costuma custar mais, e quem tem alergia a látex precisa evitar.
- Fibra siliconada: macio, leve e barato. Perde a forma antes e precisa ser trocado com mais frequência.
- Pena e pluma: macio e fácil de moldar com a mão. Sustenta pouco e pode piorar alergia respiratória.
- Espuma comum: barato, mas tende a endurecer ou esfarelar com o tempo.
O formato também varia. O travesseiro cervical, com uma ondulação mais alta na borda, apoia a curva do pescoço e agrada algumas pessoas que dormem de barriga para cima ou de lado. Outras acham desconfortável. Não é obrigatório.
como testar antes de comprar
Se a loja permitir, deite na posição em que você dorme e fique alguns minutos. Leve alguém junto para olhar o alinhamento. Apertar com a mão diz pouco.
Depois da compra, dê alguns dias de adaptação, porque o corpo estranha qualquer mudança, inclusive para melhor. Se depois de uma ou duas semanas você continua acordando pior, provavelmente não é o travesseiro certo para você.
quando trocar
Quando ele perdeu a altura, ficou com um afundamento no meio, não volta ao formato depois de dobrado, ou acumula cheiro e manchas mesmo com a capa limpa. Não existe prazo fixo, porque depende do material e do uso.
quando o travesseiro não é o problema
O travesseiro certo ajuda o pescoço a descansar, mas não desfaz uma tensão que vem do dia. Postura no computador, horas olhando o celular e estresse costumam pesar mais do que a noite. Se a dor continua mesmo depois de ajustar o travesseiro, a causa provavelmente está fora da cama.
Nesse caso, a RPG é uma das abordagens que trabalham a postura como um todo, olhando como cabeça, ombros e coluna se organizam ao longo do dia. Na FisioAbreu, ela é feita na unidade Castro Alves.
Dor no pescoço que desce para o braço, com formigamento ou perda de força na mão, dor que começou depois de queda ou pancada, ou dor com febre precisa de avaliação médica. Nesses casos, trocar o travesseiro não é a resposta.
na prática
Comece pela posição em que você mais dorme e escolha a altura a partir dela. Depois olhe a firmeza, que garante essa altura a noite toda. O material é questão de conforto, calor e alergia. E se o pescoço continua acordando duro com um travesseiro bem escolhido, vale olhar para o que acontece durante o dia.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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