
Começou com uma dor no ombro sem causa clara, que incomodava mais à noite. Com as semanas, a dor ficou forte e o braço começou a perder movimento: pentear o cabelo, fechar o sutiã, pegar algo no banco de trás do carro, tudo virou difícil. Meses depois, a dor até diminuiu, mas o ombro está travado.
Essa sequência, dor que vira rigidez, é a marca da capsulite adesiva, conhecida como ombro congelado. É uma condição frequente, com evolução lenta e previsível, e que assusta principalmente porque a pessoa vê o ombro piorando sem entender o motivo.
o que acontece dentro do ombro
O ombro é envolvido por uma cápsula, uma espécie de bolsa de tecido elástico que segura a articulação e permite a amplitude enorme de movimento que ele tem. Na capsulite, essa cápsula inflama, engrossa e encolhe. Ela deixa de ser elástica e passa a funcionar como uma manga apertada.
O resultado é perda de movimento em todas as direções, e não só numa. Isso diferencia a capsulite de outras dores de ombro: numa tendinite, a pessoa consegue mover o braço com a ajuda da outra mão, só dói. Na capsulite, nem com ajuda o braço vai.
quem costuma ter
É mais comum entre os 40 e os 65 anos, e mais em mulheres. Diabetes aumenta bastante a chance, assim como problemas de tireoide. Também aparece depois de um período de braço parado: fratura, cirurgia no ombro ou no peito, ou uma dor que fez a pessoa evitar mexer por semanas.
Em boa parte dos casos não há causa identificável. O ombro simplesmente começa a doer e a travar.
como ela evolui
A capsulite costuma ser descrita em fases, que se sobrepõem:
- fase de dor, com dor progressiva, forte à noite, e início da perda de movimento
- fase de rigidez, em que a dor diminui mas o ombro fica travado
- fase de recuperação, em que o movimento volta aos poucos
O processo inteiro é longo, frequentemente mais de um ano, e varia muito. Saber disso antes evita a angústia de achar que o tratamento não está funcionando quando o ombro ainda não voltou depois de dois meses.
quando é para procurar médico
Dor no ombro que vem com febre, com inchaço e vermelhidão, ou depois de queda pede avaliação médica. O mesmo vale para perda de movimento com formigamento no braço e na mão, para dor no ombro esquerdo que aparece com esforço e vem com falta de ar, e para dor que não melhora com nenhuma posição e acorda à noite sem relação com o movimento.
O diagnóstico de capsulite é clínico, feito pelo exame do movimento, mas o médico pode pedir exames para descartar outras causas de rigidez, como artrose ou lesão do tendão.
o que a fisioterapia faz em cada fase
O tratamento muda conforme a fase, e é aí que muita gente erra ao tentar resolver sozinha.
Na fase de dor, forçar o ombro piora. O foco é controlar a dor e manter o movimento que existe, sem agredir. Movimentos suaves, na amplitude disponível, e recursos para dor.
Na fase de rigidez, o trabalho principal é recuperar amplitude. A fisioterapia usa mobilização da articulação, técnicas para ganhar movimento na cápsula e exercícios que a pessoa repete várias vezes ao dia em casa. A intensidade aumenta conforme a dor permite.
Na fase de recuperação, entra o fortalecimento, porque um ombro que passou meses sem uso perde força e coordenação. Recuperar o movimento sem recuperar a força deixa o ombro vulnerável.
O ganho de amplitude vem de repetição frequente e leve, não de puxar o braço com força uma vez por dia. Alongar até a dor aguda irrita a cápsula e atrasa.
o que fazer no dia a dia
Use o braço no que for possível, dentro do limite da dor. Evitar o movimento por completo é o que mais alimenta a rigidez. Calor antes de mexer ajuda a cápsula a ceder um pouco. Para dormir, apoiar o braço num travesseiro à frente do corpo reduz a dor noturna de muita gente.
Em alguns casos o médico pode indicar infiltração ou outros procedimentos para encurtar a fase de dor. É decisão médica, e o trabalho de movimento continua sendo necessário depois.
o que observar
Se o braço não vai mesmo com ajuda da outra mão, se a dor é pior à noite e se você tem diabetes, leve essas três informações para a avaliação. Elas apontam bastante na direção da capsulite e mudam o plano desde o primeiro dia.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?
A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.
- Castro AlvesWhatsApp Castro Alves
- SantanaWhatsApp Santana
FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F
