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Quem tem hérnia de disco pode fazer exercício? O que muda

Equipe FisioAbreu4 min de leitura

estúdio de pilates com aparelhos alinhados perto das janelas
Foto: Karl Solano / Pexels

O laudo da ressonância diz "hérnia discal" e a primeira reação costuma ser parar tudo: nada de academia, nada de caminhada mais longa, cuidado ao pegar a sacola. O medo faz sentido, mas repouso prolongado costuma ser justamente o que atrasa a recuperação.

o que é a hérnia, sem complicar

Entre uma vértebra e outra existe um disco, uma estrutura com uma parte externa mais firme e um miolo gelatinoso. Na hérnia, esse miolo empurra ou atravessa a parede externa.

Quando esse material encosta em uma raiz nervosa, aparece a dor que desce pela perna ou pelo braço, muitas vezes com formigamento. Quando não encosta, pode não doer nada.

exame com hérnia não é sentença

Hérnia de disco aparece com frequência em exames de pessoas que nunca tiveram dor nas costas, e existe dor lombar intensa sem hérnia nenhuma na imagem. A imagem mostra a estrutura, não o sintoma.

Por isso a conduta se define pelo conjunto: o que dói, onde irradia, o que piora, o que os testes de força e sensibilidade mostram no exame físico. O laudo entra como uma peça, não como a resposta.

por que ficar parado atrapalha

Nos primeiros dias de crise forte, é normal reduzir atividade e buscar as posições que aliviam. Repouso relativo por poucos dias faz parte.

O problema é o repouso que vira semanas. Musculatura perde força rápido, a coluna fica menos tolerante a qualquer carga, o sono piora e o medo do movimento cresce. Quando a pessoa finalmente volta a se mexer, dói mais, e isso confirma o medo em um ciclo difícil de quebrar.

Movimento, na dose certa, é parte do tratamento.

o que muda entre a fase aguda e o depois

Na fase aguda, o objetivo é controlar a dor e manter algum movimento dentro do que o corpo tolera. Caminhadas curtas e frequentes costumam ser melhor toleradas do que uma longa. Ficar muito tempo sentado, em geral, é o que mais incomoda.

Passada a fase mais irritada, a conta muda. Aí o corpo precisa de carga progressiva para voltar a aguentar a vida normal, e evitar movimento por precaução passa a ser prejuízo. Fortalecer glúteo, abdome, musculatura das costas e pernas é o que protege a coluna no dia a dia.

que exercício costuma caber

Não existe lista universal, porque duas pessoas com o mesmo laudo podem tolerar coisas diferentes. O que costuma funcionar é começar por movimentos que a pessoa faz sem aumentar a irradiação, com carga baixa e boa noção de posição, e subir a dificuldade aos poucos.

O pilates entra bem nessa fase por um motivo prático: com os aparelhos, dá para trabalhar com o corpo apoiado, dosando resistência e amplitude com precisão, e ajustar exercício por exercício conforme a resposta da semana anterior. Feito com acompanhamento e depois de uma avaliação, permite progredir sem apostar no susto.

Musculação, caminhada e hidroginástica também cabem em muitos casos. O que define não é a modalidade e sim a dose e a execução.

a regra prática de dose

Um jeito simples de saber se pegou pesado: observe até onde a dor vai.

Dor que passa a irradiar mais longe durante ou depois do exercício, descendo mais pela perna, é sinal de que a carga passou do ponto. Dor que se concentra mais perto da coluna e para de descer costuma ser sinal de que o caminho está certo, mesmo que a região lombar fique dolorida por algumas horas.

Dor nova, mais intensa e que muda de lugar merece pausa e reavaliação, não insistência.

os sinais que mudam a urgência

Procure atendimento médico de imediato se aparecer:

  • perda de força na perna ou no pé, tropeços, dificuldade de ficar na ponta do pé ou de levantar a ponta do pé
  • dormência na região que encosta no assento, entre as pernas
  • dificuldade para segurar ou para eliminar urina e fezes
  • febre junto com a dor nas costas, ou dor após queda ou acidente
  • perda de peso sem explicação junto com dor que não alivia em nenhuma posição

Os três primeiros, juntos, são emergência e não devem esperar consulta agendada.

o próximo passo sensato

Quem tem hérnia diagnosticada e está com medo de se mexer ganha mais com uma avaliação presencial do que com uma lista de exercícios da internet. O fisioterapeuta testa movimento a movimento para descobrir o que o seu caso tolera hoje, e a partir daí monta a progressão. A parte que depende de você é a constância, que costuma pesar mais que a escolha do exercício.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?

A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.

FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F