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Escoliose: como perceber em crianças e adolescentes

Equipe FisioAbreu4 min de leitura

profissional avaliando a postura de uma jovem em pé, com as mãos na altura da cintura dela
Foto: Yan Krukau / Pexels

Um ombro mais alto que o outro na foto da escola. A barra da saia que fica torta. Uma escápula que salta mais que a outra quando a criança se inclina para a frente. São detalhes que os pais notam sem saber bem o que significam, e que às vezes são o primeiro sinal de escoliose.

A escoliose é uma curvatura lateral da coluna, com rotação das vértebras. A maioria dos casos aparece na adolescência, durante o estirão de crescimento, sem causa conhecida. E a maioria é leve. Mas o que decide o rumo é perceber cedo.

o que é e o que não é

Vista de costas, a coluna deveria ser reta. Na escoliose, ela forma uma curva em C ou em S. Não é o mesmo que postura ruim: a criança que se senta torta consegue endireitar quando pedem. Na escoliose, a curva está na estrutura da coluna e não some quando a criança fica em pé com atenção.

A escoliose idiopática do adolescente é a forma mais comum. Idiopática quer dizer sem causa identificada. Aparece em geral entre os 10 e os 15 anos, é mais frequente em meninas, e costuma ter algum componente familiar. Não é causada por mochila pesada, por sentar torto nem por falta de exercício, embora esses fatores possam gerar dor por outros caminhos.

os sinais que os pais conseguem ver

Com a criança em pé, de costas, com roupa que deixe ver o tronco:

  • um ombro mais alto que o outro
  • uma escápula mais saliente
  • a cintura assimétrica, com uma curva mais marcada de um lado
  • um quadril mais alto, ou a roupa que fica torta
  • a cabeça que não fica centralizada sobre a bacia

E o teste mais simples, que os pediatras usam: peça para a criança se inclinar para a frente, com os joelhos esticados e os braços soltos, como se fosse tocar os pés. Olhe as costas pelo nível dos olhos. Se um lado das costas fica mais alto que o outro, formando uma giba, é sinal de rotação da coluna e merece avaliação médica.

quando é para procurar médico

Qualquer assimetria que apareça nesse teste é motivo para consultar o pediatra ou o ortopedista, que vai pedir raio-x para medir a curva. O grau da curva, medido no exame, e o quanto de crescimento ainda falta são os dois dados que orientam a conduta.

Procure com mais urgência se houver dor nas costas intensa ou constante na criança, dor que acorda à noite, fraqueza ou formigamento nas pernas, alteração ao urinar, ou se a curva parecer estar progredindo rápido. Escoliose idiopática em geral não dói. Dor forte pede investigação de outra causa.

por que o tempo importa

A curva tende a progredir enquanto a criança cresce. Depois que o crescimento termina, curvas pequenas costumam ficar estáveis. Por isso a janela de intervenção é a adolescência, e por isso a escoliose descoberta aos 11 anos tem um caminho diferente da descoberta aos 17.

O acompanhamento médico define se o caso é de observar, de usar colete ou, nos casos maiores, de cirurgia. A grande maioria fica na primeira categoria.

onde o trabalho corporal entra

Para curvas leves e moderadas, e como parte do plano em curvas maiores, o trabalho de reeducação postural tem um papel definido. Não é para endireitar a coluna, e é importante não prometer isso. É para dar à criança consciência da curva, força nos músculos que sustentam o tronco, mobilidade nas regiões que estão rígidas e um padrão de respiração que não alimente a assimetria.

A RPG trabalha exatamente nessa lógica: posturas mantidas que alongam as cadeias musculares encurtadas do lado côncavo da curva, ativação do lado que está fraco, e atenção à forma como o corpo inteiro se organiza, dos pés à cabeça. O adolescente aprende a se perceber, o que faz diferença no dia a dia inteiro, e não só na sessão.

Nenhum exercício substitui o acompanhamento médico com raio-x periódico. O trabalho postural anda junto com ele, não no lugar dele.

o que dizer para a criança

Escoliose não impede esporte, não impede vida normal e, na maior parte dos casos, não vai dar problema. Adolescente com colete ou em tratamento precisa saber disso, porque a autoimagem nessa idade é frágil e a curva pode virar vergonha. Tratar como rotina de cuidado, não como defeito, ajuda mais do que parece.

o que observar em casa

Faça o teste de inclinação a cada seis meses durante o estirão. Compare com fotos das costas, sempre na mesma posição. Se algo mudou, leve ao médico. Perceber cedo é o que mais pesa no desfecho.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

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FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F