
A dor aparece na lateral do punho, do lado do polegar, depois de um dia inteiro de mouse. Ou no dorso do punho, ao rolar a tela do celular com o dedão por meia hora seguida. Não teve queda, não teve pancada. Só uso.
Esse tipo de dor, que chega por repetição e não por trauma, tem meia dúzia de causas comuns, e dá para diferenciá-las pelo lugar exato onde dói e pelo movimento que provoca.
o que o uso repetido faz com o punho
Os tendões que movem os dedos e o polegar passam pelo punho dentro de túneis apertados, envolvidos por uma bainha que os lubrifica. Movimento repetido, pequeno e por horas, sem variação, irrita essa bainha. Ela incha, o tendão desliza pior, e cada movimento passa a doer.
O mouse é um problema específico porque mantém o punho numa posição fixa, levemente estendido e virado para o lado, enquanto os dedos fazem milhares de cliques. O celular é problema por outro motivo: o polegar faz um movimento de alcance amplo, com o punho dobrado para sustentar o aparelho, e repete isso sem pausa.
as causas mais comuns
Tendinite do polegar, conhecida como De Quervain. Dói na lateral do punho, na base do polegar, e piora ao segurar o celular, torcer uma toalha ou pegar um bebê no colo. Um teste simples costuma reproduzir: fechar o polegar dentro da mão e inclinar o punho na direção do dedo mínimo.
Tendinite dos extensores. A dor fica no dorso do punho e piora ao levantar a mão contra resistência, como quando se usa o mouse com o punho apoiado e os dedos trabalhando.
Síndrome do túnel do carpo. Aqui o problema não é tendão, é o nervo mediano comprimido no punho. Os sinais são formigamento e dormência nos três primeiros dedos, mais à noite, com sensação de mão inchada ao acordar. Dor pura, sem formigamento, raramente é túnel do carpo.
Cisto sinovial. Um caroço no dorso do punho, mole, que aparece e some. Muitas vezes não dói, mas pode incomodar em extensão.
quando é caso de médico
Dor no punho depois de queda com a mão aberta precisa de raio-x, mesmo que pareça leve. Uma fratura pequena de um osso do punho, o escafoide, é fácil de passar despercebida e dá problema anos depois se não for tratada.
Também vale procurar médico se houver inchaço com calor e vermelhidão, dor em várias articulações ao mesmo tempo, rigidez matinal prolongada nas mãos, ou formigamento que vem com perda de força para segurar objetos.
o que ajusta no dia a dia
No computador, o punho deve ficar reto, no prolongamento do antebraço, sem dobrar para cima nem para o lado. Isso depende mais da altura da mesa e do apoio do antebraço do que do mouse em si. Se o antebraço fica no ar, o punho trabalha dobrado para compensar.
Mouse vertical ajuda algumas pessoas porque tira o giro do antebraço, mas não resolve o excesso de horas. Trocar o mouse de mão por alguns períodos também distribui a carga.
No celular, o problema é a duração e o polegar sozinho. Segurar o aparelho com as duas mãos, usar o indicador para rolar, apoiar o celular em vez de sustentar no ar, e limitar sessões longas fazem mais diferença que qualquer acessório.
A pausa que funciona é a que interrompe o movimento repetido, não a que muda de tela. Levantar a mão do mouse a cada 30 ou 40 minutos e abrir e fechar os dedos algumas vezes já muda o quadro de muita gente.
o que o tratamento faz
Quando a dor já está instalada e não cede com ajuste de hábito, a fisioterapia entra para reduzir a irritação do tendão e devolver a capacidade de carga. A avaliação identifica qual estrutura está envolvida, porque tendinite do polegar, tendinite de extensor e nervo comprimido se tratam de jeitos diferentes.
O trabalho costuma incluir técnicas para a dor na fase inicial, exercícios progressivos de força e mobilidade para o punho e o antebraço, e a revisão de como a mão trabalha ao longo do dia. Em alguns casos, uma órtese para uso por período curto ajuda a tirar o tendão da sobrecarga enquanto ele se recupera, mas isso é decidido na avaliação, não comprado por conta própria.
como diferenciar em casa antes de agendar
Preste atenção em três coisas: onde exatamente dói (lado do polegar, dorso ou palma), se existe formigamento junto, e qual movimento reproduz a dor. Esse mapa já orienta boa parte da avaliação.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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