
Depois de uma hora ao volante a lombar começa a incomodar. Numa viagem longa, o desconforto vira aquela vontade de parar no posto só para esticar. Quem dirige para trabalhar convive com isso todo dia, e a queixa costuma se estender para o pescoço e o ombro direito.
Dirigir combina três coisas que a coluna não gosta: posição sentada, imobilidade e vibração.
por que o carro é pior que a cadeira
Sentado, a pressão nos discos da coluna lombar já é maior do que em pé. No carro, alguns fatores se somam a isso.
O banco costuma ter uma inclinação que empurra a pelve para trás, o que apaga a curva natural da lombar e deixa a coluna arredondada por horas.
A posição é praticamente imóvel. Diferente de uma cadeira de escritório, em que você se remexe e levanta, no trânsito você permanece com os pés ocupados, as mãos ocupadas e pouca margem para mudar de posição.
E há a vibração do veículo, transmitida ao corpo através do banco. Exposição prolongada a vibração de corpo inteiro é reconhecida como fator de risco para dor lombar, e afeta especialmente motoristas profissionais.
os ajustes que mais mudam o dia
A maior parte das pessoas nunca mexeu no banco além de aproximá-lo dos pedais. Vale reservar dez minutos parado, com o carro desligado, para acertar isso:
- altura do banco: quadris na mesma altura dos joelhos ou levemente acima, com boa visão da estrada
- distância dos pedais: perna esquerda consegue afundar a embreagem, ou apoiar no descanso, sem esticar totalmente o joelho
- encosto: inclinação em torno de 100 a 110 graus, nem reto demais nem deitado, com as costas apoiadas de fato
- apoio lombar: ajustado para preencher a curva da lombar, sem empurrar demais; se o banco não tiver, uma almofada fina resolve
- volante: perto o suficiente para os cotovelos ficarem dobrados e os ombros relaxados, sem esticar os braços
- apoio de cabeça: a parte de cima na altura do topo da cabeça, o mais próximo possível da nuca, o que importa em caso de colisão traseira
O bolso de trás é um detalhe que ninguém lembra. Carteira grossa no bolso traseiro inclina a pelve para um lado durante o trajeto inteiro, e tirar isso resolve queixas de anos em algumas pessoas.
nas viagens longas
Parar a cada duas horas, no máximo, e sair do carro. Não vale parar e continuar sentado. Dois ou três minutos em pé, andando e movendo a coluna, mudam bastante a chegada.
Durante o trajeto, pequenas mudanças de posição ajudam: alternar o apoio, mexer os ombros, mudar levemente a inclinação do encosto de tempos em tempos. Ar-condicionado apontado direto para o pescoço costuma piorar a rigidez.
Ao chegar, evite o pior movimento de todos: descer do carro girando o tronco com a coluna curvada e puxando uma mala pesada do porta-malas. Boa parte dos episódios agudos de lombalgia de viagem acontece nesse instante, e não durante o trajeto.
Para sair do carro sem torcer, gire o corpo inteiro em direção à porta, ponha os dois pés no chão e só então levante.
quando a dor merece avaliação
- dor que desce pela perna, com formigamento ou perda de força
- dor que continua nos dias em que você não dirige
- dor que acorda você à noite ou que não melhora em nenhuma posição
- dor após colisão, mesmo leve, principalmente no pescoço
- febre, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer com dor nas costas
- dormência na região que encosta no banco, entre as pernas, ou alteração para urinar, que é urgência
o que fazer fora do carro
Aqui está a parte que resolve a médio prazo. Ajustar o banco reduz a sobrecarga; o que aumenta a tolerância é o corpo.
Quem dirige muitas horas costuma ter flexores de quadril encurtados, glúteos pouco ativos e musculatura de tronco destreinada, justamente pelo tempo sentado. Trabalhar força e mobilidade algumas vezes por semana muda a forma como a coluna responde ao próximo turno.
Quando a queixa se repete há meses e o padrão postural mantido durante horas é o pano de fundo, a reeducação postural global trabalha as cadeias musculares inteiras que sustentam essa posição, em vez de tratar apenas o ponto dolorido. O atendimento acontece na unidade Castro Alves, e a sessão dura de 45 a 60 minutos.
Se você dirige por profissão, trate a coluna como parte do equipamento de trabalho. Motorista que fica semanas parado por causa das costas perde bem mais do que o tempo que investiria em prevenção.
o teste desta semana
Da próxima vez que entrar no carro, repare em três coisas: se as suas costas estão realmente apoiadas no encosto, se os ombros estão subidos para alcançar o volante, e se a carteira está no bolso de trás. São ajustes de trinta segundos, e a diferença aparece na mesma semana.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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