
A lombar começa a incomodar por volta do meio da gestação, piora no fim do dia e atrapalha o sono. Levantar da cama, virar de lado, sentar por muito tempo, tudo passa a exigir uma manobra.
Dor nas costas na gravidez é comum, e comum não quer dizer que não tenha o que fazer.
por que aparece
Várias coisas mudam ao mesmo tempo, e todas pesam na coluna.
O útero cresce para a frente e desloca o centro de gravidade. Para compensar, o corpo tende a aumentar a curva da lombar e a jogar os ombros para trás, o que sobrecarrega as articulações posteriores da coluna.
Os músculos abdominais, que funcionam como uma cinta natural de suporte, ficam alongados e perdem eficiência conforme a barriga cresce. Sem esse apoio, a musculatura das costas trabalha mais.
Há ainda o efeito hormonal. A relaxina, que aumenta na gestação, torna ligamentos mais frouxos, preparando a pelve para o parto. Articulação com mais folga exige mais controle muscular para se manter estável.
a dor da lombar e a dor da pelve não são a mesma
Essa distinção muda bastante a orientação, e vale reparar.
A dor lombar fica na parte baixa das costas, acima da linha das nádegas, e costuma piorar ao ficar sentada por muito tempo ou ao se inclinar para a frente.
Já a dor da cintura pélvica se localiza mais embaixo, na região das articulações que ficam entre o sacro e a bacia, ou na frente, sobre o osso púbico. Ela costuma piorar ao andar, ao subir escada, ao virar na cama e ao ficar em pé sobre uma perna só, como na hora de vestir a calça. Muitas gestantes descrevem uma pontada ao dar o passo, ou um estalo na frente.
Reconhecer qual das duas predomina orienta desde a posição para dormir até os movimentos a evitar.
quando procurar atendimento sem esperar
Alguns sinais precisam de avaliação obstétrica imediata:
- dor abdominal em cólica, rítmica, principalmente antes das 37 semanas
- sangramento ou perda de líquido
- dor nas costas acompanhada de febre, ardência ao urinar ou urina turva
- redução dos movimentos do bebê
- dor forte e súbita, diferente da dor que vinha acontecendo
- dormência ou fraqueza nas pernas, dificuldade para controlar urina ou fezes
- inchaço súbito de rosto e mãos, dor de cabeça forte ou alterações visuais
Dor nas costas na gravidez também pode ter causa urinária, e infecção urinária é frequente nesse período. Na dúvida, o obstetra é quem avalia.
o que costuma ajudar no dia a dia
Dormir de lado, geralmente do lado esquerdo, com um travesseiro entre os joelhos e outro apoiando a barriga, tira boa parte da torção da pelve durante a noite. Virar na cama com os joelhos juntos, movendo o corpo em bloco, costuma doer bem menos do que virar com as pernas separadas.
Para levantar da cama, o caminho menos doloroso é rolar de lado primeiro, descer as pernas pela borda e usar os braços para sentar.
Ao longo do dia, alternar posições vale mais do que encontrar a posição perfeita. Ficar em pé parada por muito tempo e sentar afundada no sofá são as duas situações que mais aparecem nos relatos de piora.
Movimento que provoca dor aguda, principalmente na frente da pelve, deve ser evitado e relatado. Exercício na gestação precisa de liberação do obstetra e orientação de quem sabe o que muda em cada trimestre.
onde entra o exercício
Manter-se ativa na gestação, com liberação médica, costuma reduzir a intensidade da dor nas costas e melhora o sono e a disposição. O tipo de atividade importa menos do que a regularidade e a adequação ao trimestre.
O Pilates tem uma característica que combina com esse período: trabalha o controle da musculatura profunda do tronco e do assoalho pélvico em posições variadas, com carga controlada e adaptação individual, o que permite ajustar exercício a exercício conforme a barriga cresce e conforme o que provoca dor em cada gestante. As aulas na unidade Santana acontecem em turmas pequenas, com acompanhamento, e a sessão dura de 45 a 60 minutos.
Caminhada, hidroginástica e exercícios respiratórios também entram bem, sempre com o aval do obstetra.
depois do parto
A dor costuma diminuir nas semanas seguintes ao nascimento, mas nem sempre some sozinha. Amamentar em posição curvada por horas, carregar o bebê sempre do mesmo lado e a recuperação da musculatura abdominal são fatores que sustentam a queixa depois. Se a dor continuar passadas algumas semanas, vale avaliar, e não simplesmente esperar.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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