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Dor ciática: como reconhecer e o que costuma aliviar

Equipe FisioAbreu5 min de leitura

fisioterapeuta elevando a perna de uma pessoa deitada na maca
Foto: Yan Krukau / Pexels

A dor sai da região do glúteo e desce pela parte de trás da coxa. Às vezes passa do joelho, chega na panturrilha, e em alguns casos vai até o pé. Sentar por muito tempo piora. Tossir piora.

Esse trajeto é o que faz as pessoas chamarem de dor ciática. E o trajeto importa mais do que a intensidade.

o que é essa dor que desce pela perna

O nervo ciático é o mais calibroso do corpo. Ele se forma a partir de raízes nervosas que saem da coluna lombar e do sacro, passa pela região do glúteo e desce pela parte de trás da perna até se ramificar abaixo do joelho.

Ciática não é um diagnóstico, é a descrição de um sintoma: dor no trajeto desse nervo, geralmente em uma perna só. A pergunta que interessa é o que está irritando o nervo, e isso pode acontecer em pontos diferentes do caminho.

A causa mais comum é a compressão de uma raiz nervosa lá na coluna, muitas vezes por hérnia de disco. Estreitamento do canal por artrose, mais frequente depois dos 60, também produz um quadro parecido, com a diferença de que costuma doer ao andar e aliviar ao sentar ou ao inclinar o tronco para a frente.

Existe ainda a irritação do nervo na passagem pelo glúteo, onde ele corre próximo ao músculo piriforme. Nesse caso a dor tende a se concentrar na nádega e na coxa, sem descer tanto.

como distinguir da dor lombar comum

Nem toda dor que desce é ciática, e essa confusão muda bastante o tratamento.

Dor muscular referida costuma ser mais difusa, fica na região do glúteo e na parte de cima da coxa, e não passa do joelho. Já a dor de origem no nervo tende a ser em faixa, seguindo uma linha, e vem acompanhada de outras coisas:

  • formigamento ou sensação de agulhadas na perna ou no pé
  • dormência numa área específica, como a lateral da panturrilha ou a sola
  • sensação de peso ou de perna que falha
  • piora ao tossir, espirrar ou fazer força para evacuar

Um teste simples que o fisioterapeuta usa é deitar a pessoa de barriga para cima e levantar a perna esticada. Quando isso reproduz a dor descendo, aumenta bastante a chance de o nervo estar envolvido.

quando isso vira caso de urgência

A maioria dos casos melhora com tempo e conduta certa. Alguns não podem esperar:

  • perda de força clara no pé ou na perna, como não conseguir ficar na ponta do pé ou tropeçar porque a ponta do pé cai
  • dormência na região que encosta na sela de uma bicicleta, entre as pernas
  • dificuldade para urinar, escape de urina ou de fezes
  • dor nas duas pernas ao mesmo tempo, com dormência progressiva
  • febre, perda de peso sem explicação ou história de câncer junto com a dor
  • dor que começou depois de queda ou acidente

Os três primeiros itens juntos formam um quadro raro chamado síndrome da cauda equina, e são motivo de pronto-socorro no mesmo dia, não de consulta na semana seguinte.

o que costuma aliviar nas primeiras semanas

Ficar deitado o dia inteiro tende a atrasar a recuperação. O corpo responde melhor a movimento tolerável e frequente do que a repouso prolongado.

Vale procurar as posições que descomprimem. Muita gente melhora deitada de lado com um travesseiro entre os joelhos, ou de barriga para cima com as pernas apoiadas sobre almofadas, joelhos dobrados. Caminhadas curtas e repetidas ao longo do dia costumam passar melhor do que uma caminhada longa.

Sentar é geralmente o pior. Se o trabalho é sentado, levantar a cada meia hora muda o dia.

Movimento que faz a dor descer mais pela perna é sinal de parar. O contrário, um movimento que traz a dor para mais perto da coluna, costuma ser bom sinal. Em fase aguda, quem orienta isso é o profissional que examinou você.

Calor local relaxa a musculatura que ficou em espasmo em volta. Não trata o nervo, mas ajuda a aguentar melhor os primeiros dias.

onde entra o tratamento

A fisioterapia começa localizando de onde vem a irritação e quais movimentos aumentam ou diminuem o sintoma. A partir daí o trabalho junta alívio da dor, movimentos que reduzem a compressão, recuperação da força que costuma cair no membro afetado e retorno gradual às atividades. A sessão dura de 45 a 60 minutos, e quantas serão sai da avaliação.

Um ponto que costuma surpreender: a hérnia que aparece na ressonância pode diminuir sozinha com o tempo, e muita gente fica sem dor com a hérnia ainda lá no exame. Melhora clínica e imagem não andam no mesmo ritmo.

o que observar enquanto isso

Preste atenção em até onde a dor desce e se esse limite está subindo ou descendo com o passar dos dias. Perna que dói cada vez mais perto da coluna costuma indicar melhora, mesmo que a intensidade ainda incomode. E qualquer perda de força ou alteração de sensibilidade que apareça no meio do caminho é assunto para médico, não para esperar a próxima sessão.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?

A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.

FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F