Início · Blog

Carregar criança no colo: como poupar as costas e os punhos

Equipe FisioAbreu4 min de leitura

mulher caminhando na beira da praia com um bebê num carregador junto ao peito
Foto: Bijou Baby / Pexels

Uma criança de 10 ou 12 quilos não parece pesada nos primeiros minutos. O problema é que ela fica no colo muitas vezes por dia, por muito tempo, quase sempre do mesmo lado, e é levantada do chão, do berço e da cadeirinha do carro dezenas de vezes. No fim da semana, a lombar, o pescoço e os punhos de quem cuida sentem.

por que o colo pesa tanto

Não é só o peso. É a posição em que ele é carregado. Quando a criança vai apoiada num lado do quadril, o corpo de quem carrega se inclina para o outro lado para compensar, e o quadril é empurrado para fora. Ficar assim por longos períodos sobrecarrega a lombar e o quadril daquele lado.

Com o tempo, muita gente passa a carregar sempre do mesmo lado, porque é o lado mais confortável. Esse hábito concentra a carga sempre nas mesmas estruturas.

Também pesa o fato de que a fase de mais colo costuma coincidir com noites mal dormidas, menos tempo para exercício e, no caso de quem teve o bebê, um corpo ainda se recuperando da gestação e do parto.

como segurar com menos esforço

Algumas mudanças simples:

  • traga a criança para perto do centro do corpo, o mais junto do peito possível
  • alterne o lado com frequência, mesmo que um lado pareça mais desajeitado
  • evite projetar o quadril para fora para servir de apoio
  • quando for ficar em pé por muito tempo com ela no colo, apoie as costas numa parede ou sente

Para períodos longos, um carregador ergonômico (canguru ou sling bem ajustado) costuma distribuir melhor o peso. O ajuste é o que importa: a criança deve ficar alta e junto do corpo, de modo que você consiga beijar o topo da cabeça dela sem se curvar. Carregador frouxo, com a criança pendurada lá embaixo, puxa os ombros e a lombar para a frente.

levantar do chão, do berço e da cadeirinha

O momento de maior esforço não é segurar, é levantar.

Do chão, agache ou ajoelhe perto da criança, traga-a para junto do peito e use as pernas para subir, mantendo as costas sem torcer. Levantar com as pernas esticadas e o tronco dobrado, com a criança longe do corpo, é a combinação mais pesada para a lombar.

No berço, abaixar a lateral, quando o modelo permite, reduz o quanto você precisa se inclinar. Em berços fixos, apoiar um pé numa banqueta baixa ou encostar o quadril na grade ajuda a dividir o esforço.

A cadeirinha do carro é traiçoeira, porque obriga a girar o tronco e se inclinar ao mesmo tempo. Sempre que der, entre com um joelho no banco para ficar mais perto, em vez de alcançar a cadeirinha lá do lado de fora.

o punho de quem cuida

Uma queixa frequente de quem cuida de bebê é dor no punho, no lado do polegar. Ela tem relação com a forma de levantar a criança pelas axilas, com o polegar aberto e o punho dobrado. O nome técnico é tenossinovite de De Quervain, uma irritação dos tendões que passam por ali.

Mudar a pega costuma aliviar: levante a criança apoiando uma mão embaixo do bumbum e a outra nas costas, com os punhos retos, em vez de prendê-la pelas axilas com os polegares.

o pescoço

Olhar para baixo para a criança no colo, ao amamentar, ao dar mamadeira ou ao acompanhar o sono dela no carrinho, mantém o pescoço dobrado por muito tempo. Levantar o olhar de tempos em tempos e apoiar a cabeça quando sentar ajudam.

A postura do dia inteiro, somada, é o que costuma pesar. O trabalho de RPG olha justamente para esse conjunto, identificando as compensações que o corpo criou e trabalhando o alinhamento e a flexibilidade das cadeias musculares.

Se a dor descer para o braço com formigamento, ou para a perna abaixo do joelho, procure avaliação. Não é dor de colo comum.

quando procurar ajuda

  • dor que não melhora mesmo depois de ajustar a forma de carregar
  • formigamento ou perda de força nas mãos ou nas pernas
  • dor no punho que piora a ponto de atrapalhar segurar a criança
  • dor lombar intensa nas semanas seguintes ao parto, ou dor na região do púbis ao andar

Dor com febre, ou dor forte depois de uma queda segurando a criança, pede atendimento médico.

o próximo passo

Escolha um momento do dia em que você carrega a criança por mais tempo e faça um ajuste ali: trocar de lado, usar o carregador ou mudar a forma de levantar. Pequenas mudanças repetidas dezenas de vezes por dia somam muito. Se a dor persistir, uma avaliação ajuda a entender o que mais está sobrecarregando o corpo.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?

A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.

FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F