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Canelite: por que a canela dói ao correr e o que ajuda

Equipe FisioAbreu4 min de leitura

pernas de uma pessoa correndo numa estrada ao pôr do sol
Foto: Alex Kinkate / Pexels

A dor aparece na parte de dentro da canela, numa faixa de alguns centímetros, logo nos primeiros minutos de corrida. Às vezes melhora quando o corpo esquenta e volta no fim do treino ou no dia seguinte. Esse padrão é tão comum entre quem começou a correr ou aumentou o treino que ganhou nome popular: canelite.

o que é a canelite

O nome técnico é síndrome do estresse tibial medial. Tibial porque envolve a tíbia, o osso da canela. Medial porque a dor fica na borda de dentro, mais para o terço de baixo da perna.

O que acontece é uma sobrecarga. A cada passada, os músculos da panturrilha e do pé puxam a membrana que reveste o osso, e o próprio osso recebe impacto. Quando essa carga chega mais rápido do que o tecido consegue se adaptar, ele reclama. Não é uma lesão que surge de um movimento só. Ela vai se instalando ao longo de semanas.

por que ela aparece

Quase sempre existe uma mudança recente no treino. Entre as causas mais comuns:

  • aumento rápido de quilometragem ou de dias de corrida por semana
  • troca de piso, como sair da esteira para o asfalto ou para a calçada
  • tênis muito gasto, ou troca brusca de modelo
  • muitos treinos seguidos de subida, descida ou tiro
  • volta à corrida depois de um tempo parado, no ritmo de antes

O corpo de quem corre também conta. Panturrilha com pouca força, pé que afunda demais na pisada e quadril que deixa o joelho cair para dentro aumentam a carga sobre a tíbia. Nenhum desses fatores sozinho explica a dor. Costuma ser a soma deles com o aumento de treino.

canelite ou fratura por estresse

Essa diferença importa, porque a fratura por estresse pede outra conduta.

Na canelite, a dor é espalhada ao longo de uma faixa do osso e costuma ser pior no começo do esforço. Na fratura por estresse, a dor tende a ficar num ponto que dá para apontar com um dedo, piora conforme o treino avança e pode continuar mesmo parado, inclusive à noite.

Dor num ponto específico da canela, que dói ao apertar, que aparece ao caminhar ou que incomoda em repouso, pede avaliação médica e muitas vezes exame de imagem antes de voltar a correr.

Também vale procurar médico se a dor vem com sensação de perna apertada que só passa ao parar, formigamento ou dormência no pé. Esse quadro pode ter outra origem, ligada à pressão dentro dos músculos da perna.

o que costuma ajudar

O primeiro ajuste é na carga. Na maioria dos casos não é preciso parar de se mexer, e sim reduzir o que provoca a dor: menos quilômetros, menos dias seguidos, piso mais macio, ritmo mais leve. Se a dor aparece até caminhando, aí sim é hora de pausar a corrida.

Enquanto isso, dá para manter o condicionamento com atividades de menos impacto, como bicicleta ou elíptico, desde que não doam.

Gelo por 15 a 20 minutos depois da atividade pode aliviar o desconforto, com um pano entre o gelo e a pele. Ele ajuda no sintoma, mas não resolve a sobrecarga que gerou a dor.

O que costuma fazer diferença no médio prazo é preparar a perna para a carga. Força de panturrilha, dos músculos do pé e do quadril deixa o corpo absorver melhor o impacto. A fisioterapia avalia como a pessoa corre, onde está a falta de força ou de mobilidade e monta essa progressão de acordo com o caso, junto com um plano de retorno à corrida.

como voltar a correr

A volta é onde muita gente tropeça. A dor passa, a pessoa retoma o treino de antes e em duas semanas a canela volta a doer.

Algumas referências que costumam funcionar:

  • só retomar quando caminhar rápido e saltitar no lugar não doerem
  • recomeçar com intervalos de corrida e caminhada, em vez de corrida contínua
  • aumentar o volume aos poucos, de semana em semana, e não de treino em treino
  • usar como guia a dor do dia seguinte: se a canela amanhece pior, o treino anterior passou do ponto

Uma dor leve durante o treino, que não aumenta e some até a manhã seguinte, costuma ser aceitável nessa fase. Dor que cresce durante a corrida ou que faz mancar é sinal para recuar.

o próximo passo

Se a canela começou a doer depois de uma mudança no treino, comece por aí: reduza o que mudou e observe como ela responde ao longo de uma ou duas semanas. Se a dor não melhora, se fica num ponto só ou se volta toda vez que você aumenta a corrida, vale uma avaliação para entender o que está sobrecarregando a perna antes de insistir.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?

A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.

FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F