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Viagem longa: como evitar dor nas costas e pernas inchadas

Equipe FisioAbreu5 min de leitura

homem sentado junto à janela de um ônibus durante a viagem
Foto: Sinitta Leunen / Pexels

Seis, oito, doze horas sentado. Ao descer do avião ou do ônibus, o tênis aperta, o tornozelo sumiu e a lombar reclama na hora de levantar. É uma das queixas mais comuns depois de viagem longa, e quase sempre tem explicação simples.

por que as pernas incham

O sangue das pernas precisa subir de volta até o coração contra a gravidade. Quem faz boa parte desse trabalho é a panturrilha: cada vez que o músculo contrai, ele espreme as veias e empurra o sangue para cima. Por isso se fala em bomba da panturrilha.

Sentado e parado, essa bomba praticamente desliga. O joelho dobrado e a borda do assento pressionando a parte de trás da coxa dificultam ainda mais o retorno. O líquido se acumula nos tornozelos e nos pés.

No avião entram outros fatores. O ar da cabine é seco, muita gente bebe menos água para não ter que ir ao banheiro, e o álcool e o café entram na conta. Nada disso é perigoso sozinho, mas soma.

Esse inchaço comum aparece nos dois lados, mais ou menos por igual, não dói muito e vai embora em algumas horas depois que a pessoa volta a andar ou deita com as pernas elevadas.

por que as costas e o pescoço doem

O assento de transporte foi feito para caber muita gente, não para a sua coluna. O encosto inclinado e sem apoio na lombar faz o quadril escorregar para frente e a coluna se arredondar. Depois de algumas horas, a musculatura que sustenta essa posição cansa.

O pescoço sofre quando a pessoa dorme sentada. A cabeça tomba para um lado ou para frente e fica ali por muito tempo, com os músculos esticados de um lado e encurtados do outro. É a receita do torcicolo de viagem.

o que ajuda durante o trajeto

O princípio é um só: não ficar parado muito tempo na mesma posição.

  • Mexa os tornozelos com frequência. Pontas dos pés para cima e para baixo, círculos com os pés. Dá para fazer sentado, sem incomodar ninguém, e põe a panturrilha para trabalhar.
  • Levante e caminhe pelo corredor quando o aviso de cinto estiver apagado. No ônibus, desça nas paradas e ande um pouco, mesmo que seja só em volta do veículo.
  • Se puder escolher, prefira o assento do corredor. Levantar fica mais fácil e você não depende de pedir licença.
  • Beba água ao longo da viagem. Álcool e excesso de café desidratam.
  • Use roupa e calçado folgados. Cintura apertada e meia com elástico marcando a perna atrapalham a circulação.
  • Não fique muito tempo de pernas cruzadas e não deixe a mochila embaixo do banco da frente roubando o espaço dos pés.

Para a coluna, uma blusa dobrada ou um travesseiro pequeno atrás da lombar devolve parte da curvatura que o assento tira. O travesseiro de pescoço em formato de U ajuda a cabeça a não tombar, desde que não seja tão alto que empurre o queixo para frente.

Mude de posição de vez em quando. Endireite o tronco, encoste o quadril no fundo do assento, solte os ombros. Movimentos pequenos de girar o pescoço e encolher e soltar os ombros, feitos devagar, aliviam a rigidez. Se algum movimento doer, pare.

quem já tem dor na coluna

Quem convive com dor lombar ou cervical costuma sentir mais a viagem. Dá para planejar: levar o apoio lombar, reservar o corredor, programar paradas em viagem de carro, e não erguer sozinho a mala pesada logo depois de horas sentado, quando a musculatura está fria e cansada.

Se a dor volta toda vez que você viaja ou passa muito tempo sentado, ela está dando um recado sobre a coluna no dia a dia, não só sobre a viagem. Na fisioterapia, a avaliação olha postura, mobilidade e força para entender por que a coluna tolera tão pouco tempo parada, e o tratamento trabalha justamente isso.

trombose: o que separa o inchaço comum de uma emergência

A trombose venosa profunda é a formação de um coágulo numa veia profunda, quase sempre da perna. Ficar muito tempo imóvel é um dos fatores que favorecem, e por isso ela entra na conversa sobre viagem longa. Em pessoas saudáveis o risco é baixo, mas ele sobe em alguns grupos.

Quem tem algum destes fatores deve conversar com o médico antes de viajar:

  • trombose ou embolia anterior, ou casos na família
  • cirurgia ou internação recente, ou perna imobilizada
  • gravidez ou parto recente
  • uso de anticoncepcional hormonal ou reposição hormonal
  • câncer em tratamento
  • obesidade, varizes importantes ou dificuldade para se movimentar

O médico pode indicar meia de compressão, com o tipo e a pressão adequados ao caso, e em algumas situações outras medidas. Meia comprada por conta própria, no tamanho errado, pode apertar no lugar errado e atrapalhar mais do que ajudar.

Inchaço numa perna só, com dor na panturrilha, calor ou vermelhidão, não é inchaço de viagem: procure atendimento médico no mesmo dia. Falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue pedem pronto-socorro imediatamente.

Esses sinais podem aparecer dias depois de desembarcar, não só durante o trajeto. Fique atento na semana seguinte à viagem.

na chegada

Caminhe. Uma volta curta depois do desembarque já reativa a circulação. À noite, deitar com as pernas um pouco elevadas sobre um travesseiro ajuda o inchaço que sobrou a baixar.

Se as costas chegaram doloridas, um banho morno e movimentos leves funcionam melhor do que passar o dia seguinte deitado. O inchaço comum e a dor de posição melhoram em um ou dois dias. O que não melhora, ou piora, merece ser avaliado.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?

A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.

FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F