
Você vira na cama para o lado e o quarto gira. Dura alguns segundos, talvez meio minuto, e passa. Levantar rápido de manhã dá a mesma sensação, e olhar para cima na prateleira alta também. Entre as crises, você está bem.
Essa tontura curta, provocada por posição, tem características bem próprias.
o que é essa sensação de giro
Dentro do ouvido interno existe um sistema de canais preenchidos por líquido, responsável por informar ao cérebro a posição e o movimento da cabeça. É o labirinto.
Nas paredes dessa estrutura ficam cristais minúsculos de carbonato de cálcio, que fazem parte do funcionamento normal. Quando alguns deles se soltam do lugar e migram para dentro de um dos canais, cada movimento da cabeça faz esse líquido se mexer de forma errada. O cérebro recebe a informação de que você está girando, os olhos entram numa oscilação involuntária, e o mundo parece rodar.
É a chamada vertigem posicional paroxística benigna, a causa mais comum de vertigem. Três características costumam aparecer juntas: dura pouco, é desencadeada por mudança de posição da cabeça, e some quando você fica parado.
o que costuma vir junto e o que não vem
Náusea acompanha com frequência, e algumas pessoas ficam com sensação de instabilidade por horas depois da crise, mesmo sem giro.
Duas coisas não fazem parte desse quadro: perda de audição e zumbido novo. Quando aparecem, a suspeita muda para outras condições do ouvido interno, e isso é território de avaliação médica com otorrino.
quando é para procurar atendimento imediato
Tontura tem causas variadas, e algumas são graves. Procure atendimento no mesmo momento se a tontura vier com:
- dificuldade para falar ou fala arrastada
- visão dupla, perda de visão ou queda de uma pálpebra
- fraqueza ou dormência em um lado do corpo ou da face
- dor de cabeça súbita e muito forte
- incapacidade de andar sem cair, mesmo com apoio
- dor no peito, falta de ar ou desmaio
Vale também procurar médico, sem urgência, quando a tontura dura horas ou dias seguidos, quando vem depois de queda ou pancada na cabeça, quando acompanha perda de audição, ou quando você usa vários medicamentos, já que alguns provocam tontura como efeito.
por que os cristais se soltam
Na maioria das vezes não existe causa identificável. Acontece mais com o passar da idade, e é mais comum em mulheres.
Alguns gatilhos aparecem na história com frequência: pancada na cabeça, mesmo leve, período longo deitado por doença ou cirurgia, e procedimentos odontológicos demorados com a cabeça inclinada para trás.
o que ajuda e o que atrapalha
Duas atitudes comuns tendem a atrasar a recuperação. A primeira é evitar todos os movimentos que provocam a tontura. O sistema de equilíbrio se recalibra com estímulo, e proteção total mantém a sensibilidade. A segunda é usar remédio para tontura por longos períodos por conta própria, o que mascara o sintoma e, em alguns casos, retarda a adaptação. Medicamento é assunto do médico.
Enquanto o quadro está ativo, algumas medidas práticas reduzem o risco de queda: levantar da cama em duas etapas, sentar primeiro e esperar alguns segundos, deixar uma luz acesa no caminho do banheiro à noite, e evitar subir em escada ou banquinho.
Se você mora sozinho e a tontura provoca desequilíbrio ao andar, não espere. Queda é a complicação que mais preocupa nesse quadro, principalmente depois dos 60.
onde entra o tratamento
A vertigem posicional tem um caminho de tratamento bastante específico. A avaliação usa testes de posicionamento que reproduzem a crise e observam o movimento dos olhos, e é esse movimento que indica qual canal do ouvido está envolvido e de que lado.
Identificado isso, o tratamento é feito com manobras de reposicionamento, uma sequência de mudanças de posição da cabeça que leva os cristais de volta ao lugar de onde saíram. Muitas pessoas melhoram em poucas sessões, embora recorrência aconteça. Quando fica um resíduo de instabilidade, a fisioterapia trabalha com exercícios de reabilitação do equilíbrio, que treinam o sistema a se ajustar de novo. A sessão dura de 45 a 60 minutos, e quantas serão sai da avaliação.
Não tente manobra vista em vídeo por conta própria. Feita no canal errado, ela pode piorar a crise, e existem condições de pescoço e de circulação que contraindicam algumas posições.
o que observar
Preste atenção em três coisas para contar na avaliação: quanto tempo dura a crise, exatamente qual movimento a provoca, e se existe zumbido ou mudança na audição. Esse trio orienta boa parte da investigação, e a duração é o dado que mais separa uma causa da outra.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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