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Respiração e dor nas costas: por que o jeito de respirar importa

Equipe FisioAbreu4 min de leitura

mulher se exercitando sobre um tapete em uma sala clara com plantas
Foto: Vitaly Gariev / Pexels

Repare como você está respirando agora. Se o ombro sobe um pouco a cada inspiração e a barriga quase não se mexe, você não está sozinho. Esse jeito de respirar é comum em quem passa o dia sentado, tenso ou com pressa, e ele tem mais a ver com dor nas costas e no pescoço do que parece.

A respiração não causa dor nas costas sozinha. Mas o músculo principal da respiração também participa da estabilidade da coluna, e quando ele trabalha mal, outros músculos assumem um trabalho que não é deles.

o diafragma não serve só para respirar

O diafragma é um músculo em forma de cúpula que separa o tórax do abdome. Ao inspirar, ele desce, a barriga e as costelas se expandem e o ar entra. Ao expirar, ele sobe e relaxa.

O detalhe que pouca gente conhece: a parte de trás do diafragma se prende na frente das vértebras lombares. Ele é vizinho direto da coluna. Junto com os músculos profundos do abdome e do assoalho pélvico, ajuda a criar pressão dentro do abdome, e essa pressão é parte do que dá firmeza ao tronco quando você se abaixa, carrega peso ou levanta da cadeira.

Quando o diafragma se move pouco, esse sistema fica menos eficiente.

respirar com o peito sobrecarrega o pescoço

Se o diafragma não faz a parte dele, o corpo puxa o ar por cima. Entram em ação músculos do pescoço e dos ombros, como os escalenos e a parte superior do trapézio, que deveriam ser só auxiliares em momentos de esforço.

São milhares de respirações por dia. Músculo auxiliar trabalhando como principal o dia inteiro fica tenso e dolorido, e isso costuma aparecer como dor na base do pescoço, entre as escápulas e no alto dos ombros.

o que deixa a respiração curta

Algumas situações empurram para a respiração alta:

  • passar horas sentado curvado, com as costelas comprimidas sobre a barriga
  • ansiedade e estresse, que aceleram e encurtam a respiração
  • roupa ou cinta apertada na cintura
  • o hábito de encolher a barriga o dia inteiro
  • dor, que faz a pessoa travar o tronco e respirar pouco para não mexer

O último item cria um ciclo: a dor nas costas faz respirar curto, e respirar curto mantém a tensão que alimenta a dor.

um teste simples em casa

Deite de barriga para cima, com os joelhos dobrados. Coloque uma mão no peito e outra na barriga, logo abaixo das costelas. Respire normalmente por um minuto, sem tentar corrigir nada.

Se a mão de cima sobe mais do que a de baixo, a respiração está concentrada no peito. Se a de baixo sobe primeiro e as costelas se abrem para os lados, o diafragma está participando.

Agora tente levar o ar para a mão de baixo, devagar, deixando a barriga e as laterais das costelas se expandirem. Solte o ar sem pressa. Alguns minutos assim, num momento tranquilo do dia, ajudam a reconhecer a diferença.

Se esse exercício causar tontura, dor ou falta de ar, pare. Respirar fundo demais e rápido demais dá tontura em qualquer um. A ideia é respirar mais baixo, não mais forte.

respiração e postura andam juntas

Não adianta treinar respiração deitado e passar o resto do dia curvado sobre a mesa. Costelas fechadas sobre a barriga limitam o espaço para o diafragma descer. A forma como você senta, a altura da tela e as pausas ao longo do dia mudam o quanto consegue respirar bem.

O caminho inverso também existe. Uma coluna rígida na região do tórax, com pouca mobilidade entre as costelas, dificulta a expansão mesmo quando a pessoa tenta respirar fundo.

É por isso que, na RPG, a respiração faz parte do trabalho postural: as posturas são mantidas enquanto o paciente respira de forma controlada, e o fisioterapeuta observa onde o tronco trava e onde compensa. Na FisioAbreu, a RPG é feita na unidade Castro Alves.

quando a dor e a respiração pedem médico

Dor nas costas que muda com a respiração nem sempre é muscular. Procure atendimento médico se notar:

  • falta de ar que surgiu de repente ou piora rápido
  • dor no peito, com ou sem irradiação para o braço, a mandíbula ou as costas
  • dor que piora ao respirar fundo depois de uma queda ou pancada nas costelas
  • febre, tosse com catarro e dor ao respirar
  • tosse com sangue

Nesses casos, exercício respiratório não é a resposta.

por onde começar

Comece observando. Repare como respira sentado no trabalho, no trânsito, quando está preocupado. Experimente o teste deitado num momento calmo. Se a dor nas costas ou no pescoço insiste mesmo depois de ajustar a postura e as pausas, uma avaliação que olhe respiração, mobilidade do tórax e postura juntas faz sentido, porque raramente uma delas está fora do lugar sozinha.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?

A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.

FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F