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Quedas em idosos: o que aumenta o risco dentro de casa

Equipe FisioAbreu5 min de leitura

casal idoso fazendo exercício com faixa elástica em estúdio
Foto: Yan Krukau / Pexels

A maioria das quedas de pessoas idosas não acontece na rua, no ônibus ou na escada do prédio. Acontece dentro de casa, num percurso conhecido, muitas vezes durante o dia e fazendo algo banal.

E queda depois dos 60 não é um acidente sem consequência. Ela costuma ser o começo de uma sequência: fratura, tempo parado, perda de força, medo de andar, mais risco de cair de novo.

por que o risco aumenta com a idade

Manter-se em pé é uma tarefa que o corpo resolve o tempo todo, combinando informação da visão, do ouvido interno e dos receptores de posição das articulações, com resposta rápida da musculatura.

Com o passar dos anos, cada uma dessas peças perde um pouco de eficiência. A força das pernas diminui, o tempo de reação aumenta, a visão perde nitidez e adaptação ao escuro, e o equilíbrio fica menos preciso. Nenhuma dessas perdas isoladamente derruba alguém. A combinação, sim.

Por cima disso entram fatores que se acumulam com a idade: mais medicamentos, mais problemas de saúde, e às vezes menos atividade física.

os fatores que mais pesam

Alguns aparecem com muita frequência quando se investiga a causa de uma queda:

  • fraqueza de pernas e dificuldade para levantar da cadeira sem usar os braços
  • uso de vários medicamentos ao mesmo tempo, principalmente calmantes, remédios para dormir, antidepressivos e remédios para pressão
  • tontura ou escurecimento da vista ao levantar rápido
  • visão ruim, ou óculos multifocal em escadas, que distorce a percepção do degrau
  • queda anterior, que é um dos melhores preditores de nova queda
  • medo de cair, que leva a andar menos, perder força e aumentar o risco
  • calçado inadequado, chinelo solto, meia no piso liso

o que ajustar dentro de casa

A maior parte dos ajustes é barata e leva uma tarde.

No banheiro, que é o cômodo com mais quedas: barra de apoio ao lado do vaso e dentro do box, tapete antiderrapante e, quando possível, um banco para o banho. No quarto: uma luz de fácil alcance ao lado da cama e um caminho livre até o banheiro, iluminado à noite.

Pela casa, o que mais derruba são objetos no chão. Tapete solto sem fixação, fio de eletrodoméstico atravessando o caminho, cachorro pequeno que anda junto, caixa encostada no corredor. Tapete de banheiro e da cozinha, em especial, escorregam com facilidade.

Escada pede corrimão dos dois lados e fita antiderrapante no degrau. E prateleira alta é armadilha: subir em banquinho ou cadeira para pegar algo é um clássico entre as histórias de fratura.

o que fazer além da casa

Ajustar o ambiente reduz parte do risco. A outra parte é a pessoa.

Exercício é a medida com melhor efeito comprovado sobre quedas, e não é caminhada sozinha. Precisa incluir treino de equilíbrio e fortalecimento de pernas, feito de forma regular. Programas que combinam essas duas coisas reduzem tanto a chance de cair quanto o medo de cair.

Revisar os medicamentos com o médico, ao menos uma vez ao ano, é outra medida de alto retorno. Vale também consulta oftalmológica regular, avaliação de audição, e checar pressão deitado e em pé, para identificar aquela queda de pressão ao levantar.

Vitamina D e cálcio entram quando há indicação médica, com exame, e não como suplemento tomado por conta própria.

sinais que pedem consulta logo

  • queda nos últimos 12 meses, mesmo sem lesão
  • dificuldade para levantar da cadeira sem apoiar os braços
  • tontura, desequilíbrio ou sensação de que vai cair ao virar-se
  • necessidade de se apoiar nos móveis para andar dentro de casa
  • perda de força ou dormência nas pernas
  • confusão, esquecimento novo ou desmaio

Depois de uma queda, mesmo sem fratura, procure avaliação. A queda é uma informação, e ignorar essa informação costuma custar caro alguns meses depois.

onde entra a fisioterapia

A avaliação testa equilíbrio, força de membros inferiores, velocidade da marcha e a forma como a pessoa levanta da cadeira e se vira. Esses testes simples dizem bastante sobre o risco de queda.

A partir daí, a fisioterapia monta um trabalho progressivo de força e equilíbrio, treino de marcha e, quando necessário, orientação sobre o uso correto de bengala ou andador, que muita gente usa de forma que aumenta o risco em vez de reduzir. A sessão dura de 45 a 60 minutos, e quantas serão sai da avaliação.

o que fazer nesta semana

Duas coisas concretas: caminhe pela casa olhando para o chão, do quarto ao banheiro e do sofá à cozinha, e tire do caminho tudo que está solto. Depois, teste levantar de uma cadeira sem usar as mãos, cinco vezes seguidas. Se for difícil, essa é a informação que interessa levar para a próxima consulta.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?

A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.

FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F