
A maioria das quedas de pessoas idosas não acontece na rua, no ônibus ou na escada do prédio. Acontece dentro de casa, num percurso conhecido, muitas vezes durante o dia e fazendo algo banal.
E queda depois dos 60 não é um acidente sem consequência. Ela costuma ser o começo de uma sequência: fratura, tempo parado, perda de força, medo de andar, mais risco de cair de novo.
por que o risco aumenta com a idade
Manter-se em pé é uma tarefa que o corpo resolve o tempo todo, combinando informação da visão, do ouvido interno e dos receptores de posição das articulações, com resposta rápida da musculatura.
Com o passar dos anos, cada uma dessas peças perde um pouco de eficiência. A força das pernas diminui, o tempo de reação aumenta, a visão perde nitidez e adaptação ao escuro, e o equilíbrio fica menos preciso. Nenhuma dessas perdas isoladamente derruba alguém. A combinação, sim.
Por cima disso entram fatores que se acumulam com a idade: mais medicamentos, mais problemas de saúde, e às vezes menos atividade física.
os fatores que mais pesam
Alguns aparecem com muita frequência quando se investiga a causa de uma queda:
- fraqueza de pernas e dificuldade para levantar da cadeira sem usar os braços
- uso de vários medicamentos ao mesmo tempo, principalmente calmantes, remédios para dormir, antidepressivos e remédios para pressão
- tontura ou escurecimento da vista ao levantar rápido
- visão ruim, ou óculos multifocal em escadas, que distorce a percepção do degrau
- queda anterior, que é um dos melhores preditores de nova queda
- medo de cair, que leva a andar menos, perder força e aumentar o risco
- calçado inadequado, chinelo solto, meia no piso liso
o que ajustar dentro de casa
A maior parte dos ajustes é barata e leva uma tarde.
No banheiro, que é o cômodo com mais quedas: barra de apoio ao lado do vaso e dentro do box, tapete antiderrapante e, quando possível, um banco para o banho. No quarto: uma luz de fácil alcance ao lado da cama e um caminho livre até o banheiro, iluminado à noite.
Pela casa, o que mais derruba são objetos no chão. Tapete solto sem fixação, fio de eletrodoméstico atravessando o caminho, cachorro pequeno que anda junto, caixa encostada no corredor. Tapete de banheiro e da cozinha, em especial, escorregam com facilidade.
Escada pede corrimão dos dois lados e fita antiderrapante no degrau. E prateleira alta é armadilha: subir em banquinho ou cadeira para pegar algo é um clássico entre as histórias de fratura.
o que fazer além da casa
Ajustar o ambiente reduz parte do risco. A outra parte é a pessoa.
Exercício é a medida com melhor efeito comprovado sobre quedas, e não é caminhada sozinha. Precisa incluir treino de equilíbrio e fortalecimento de pernas, feito de forma regular. Programas que combinam essas duas coisas reduzem tanto a chance de cair quanto o medo de cair.
Revisar os medicamentos com o médico, ao menos uma vez ao ano, é outra medida de alto retorno. Vale também consulta oftalmológica regular, avaliação de audição, e checar pressão deitado e em pé, para identificar aquela queda de pressão ao levantar.
Vitamina D e cálcio entram quando há indicação médica, com exame, e não como suplemento tomado por conta própria.
sinais que pedem consulta logo
- queda nos últimos 12 meses, mesmo sem lesão
- dificuldade para levantar da cadeira sem apoiar os braços
- tontura, desequilíbrio ou sensação de que vai cair ao virar-se
- necessidade de se apoiar nos móveis para andar dentro de casa
- perda de força ou dormência nas pernas
- confusão, esquecimento novo ou desmaio
Depois de uma queda, mesmo sem fratura, procure avaliação. A queda é uma informação, e ignorar essa informação costuma custar caro alguns meses depois.
onde entra a fisioterapia
A avaliação testa equilíbrio, força de membros inferiores, velocidade da marcha e a forma como a pessoa levanta da cadeira e se vira. Esses testes simples dizem bastante sobre o risco de queda.
A partir daí, a fisioterapia monta um trabalho progressivo de força e equilíbrio, treino de marcha e, quando necessário, orientação sobre o uso correto de bengala ou andador, que muita gente usa de forma que aumenta o risco em vez de reduzir. A sessão dura de 45 a 60 minutos, e quantas serão sai da avaliação.
o que fazer nesta semana
Duas coisas concretas: caminhe pela casa olhando para o chão, do quarto ao banheiro e do sofá à cozinha, e tire do caminho tudo que está solto. Depois, teste levantar de uma cadeira sem usar as mãos, cinco vezes seguidas. Se for difícil, essa é a informação que interessa levar para a próxima consulta.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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