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Fisioterapia depois do AVC: quando começa e o que se trabalha

Equipe FisioAbreu4 min de leitura

fisioterapeuta ajudando um homem idoso a esticar os braços dentro de casa
Foto: Kampus Production / Pexels

Depois de um AVC, a família costuma sair do hospital com muitas perguntas e pouca orientação. Quando começa a fisioterapia, quanto tempo dura, o que dá para esperar. As respostas variam muito de pessoa para pessoa, mas o caminho tem uma lógica que ajuda a entender cada etapa.

o que o AVC faz com o movimento

O acidente vascular cerebral acontece quando uma área do cérebro fica sem sangue, por entupimento (AVC isquêmico) ou por sangramento (AVC hemorrágico). As células daquela área sofrem, e as funções que ela controla ficam prejudicadas.

Quando a área atingida comanda o movimento, o resultado mais comum é fraqueza de um lado do corpo, chamada hemiparesia. Mas o AVC pode afetar também o equilíbrio, a sensibilidade, a fala, a deglutição, a visão e a atenção. Por isso a reabilitação raramente é só de fisioterapia: fonoaudiologia, terapia ocupacional e outras áreas costumam fazer parte.

quando a fisioterapia começa

Muitas vezes, ainda no hospital. Assim que a equipe médica considera o quadro estável, o fisioterapeuta começa com mudanças de posição na cama, cuidado com o braço e o ombro afetados, exercícios respiratórios e, aos poucos, sentar, ficar em pé e dar os primeiros passos com apoio.

O momento exato e a intensidade dessas primeiras sessões são definidos pela equipe do hospital, de acordo com o tipo de AVC, a pressão arterial e o estado geral. Não é algo para apressar por conta própria.

Depois da alta, a reabilitação continua em clínica ou em casa. Quanto antes ela seguir, melhor, porque os primeiros meses após o AVC costumam ser o período em que o cérebro está mais disposto a se reorganizar.

por que o cérebro consegue reaprender

O tecido que morreu não volta. O que acontece é que outras áreas do cérebro podem assumir parte das funções perdidas, e conexões que existiam mas eram pouco usadas podem ser fortalecidas. Isso se chama neuroplasticidade.

Ela depende de prática. O cérebro reaprende um movimento repetindo esse movimento, com objetivo, muitas vezes. É por isso que a fisioterapia depois do AVC é tão baseada em tarefas reais: levantar da cadeira, alcançar um copo, caminhar, subir um degrau.

A recuperação tende a ser mais rápida no começo e mais lenta depois. Mas mais lenta não significa parada. Há pessoas que continuam ganhando função meses e até anos depois, principalmente quando seguem praticando.

o que se trabalha nas sessões

O plano sai da avaliação, mas os objetivos mais comuns são:

  • transferências, como passar da cama para a cadeira e da cadeira para o pé, com segurança
  • equilíbrio sentado e em pé, para reduzir o risco de queda
  • marcha, com ou sem bengala ou andador, dependendo da fase
  • uso do braço e da mão afetados nas atividades do dia
  • controle da espasticidade, a rigidez muscular que aparece em parte dos casos e puxa o braço ou a perna para posições fixas
  • força e resistência do corpo inteiro, que costumam cair muito durante a internação

A fisioterapia também orienta a família: como ajudar a pessoa a levantar sem puxar pelo braço afetado, como posicionar na cama e na poltrona, que adaptações fazer em casa.

o cuidado com o ombro

O ombro do lado afetado merece atenção especial. Com os músculos fracos, a articulação fica frouxa e o peso do braço pode puxá-la para baixo. Puxar a pessoa pelo braço, deixar o braço pendurado por horas ou mobilizar com força pode provocar dor que atrapalha toda a reabilitação.

Apoiar o braço numa almofada ou no braço da cadeira e nunca levantar a pessoa por esse braço são cuidados simples que fazem diferença.

o papel de quem cuida

Em casa, a tentação é fazer tudo pela pessoa, para poupar esforço e tempo. Mas cada tarefa que ela consegue fazer sozinha, mesmo devagar, é prática para o cérebro. Ajudar a fazer costuma ser melhor do que fazer por ela.

Exercícios para casa devem ser os que o fisioterapeuta passou, do jeito que ele ensinou. Se algum movimento provocar dor, pare e leve a dúvida para a próxima sessão.

sinais que pedem atendimento imediato

Se aparecer de repente boca torta, fraqueza num braço ou numa perna, fala enrolada ou dificuldade de entender o que dizem, ligue para o SAMU (192) na hora. Um novo AVC é uma emergência, e cada minuto conta.

Também procure o médico sem demora em caso de queda com batida na cabeça, inchaço e dor na panturrilha (que pode indicar trombose), febre ou piora rápida do estado geral.

o próximo passo

A reabilitação depois do AVC é longa e não segue linha reta. Há semanas de ganho visível e semanas em que parece que nada muda. Manter a regularidade das sessões, praticar em casa o que foi orientado e envolver a família no processo é o que mais pesa no caminho. Se a fisioterapia foi interrompida depois da alta, vale retomar com uma nova avaliação.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?

A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.

FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F