
O pé virou para dentro num degrau, num buraco da calçada ou numa mudança de direção. Doeu forte na hora, inchou nas primeiras horas e apareceu aquela mancha roxa depois de um ou dois dias. Andar dá, mancando.
Entorse de tornozelo é uma das lesões mais comuns que existem, e também uma das mais mal cuidadas.
o que se machuca numa entorse
Na grande maioria dos casos o pé vira para dentro, e quem sofre são os ligamentos da parte de fora do tornozelo. Ligamento é o tecido que liga osso a osso e limita o movimento além do normal.
O grau da lesão varia de um estiramento leve dessas fibras até a ruptura de um ou mais ligamentos. O inchaço e o roxo não são bons medidores de gravidade: entorse leve pode inchar muito, e lesão importante às vezes incha pouco no início.
Quando o pé vira para fora, ou quando a dor se concentra bem acima do tornozelo, na região entre a tíbia e a fíbula, o padrão é diferente e costuma demandar mais cautela e mais tempo.
quando é preciso descartar fratura
Nem toda entorse precisa de raio X, mas alguns sinais aumentam bastante a suspeita de fratura e pedem avaliação médica:
- incapacidade de dar quatro passos apoiando o peso, logo depois da lesão e também na hora do atendimento
- dor à pressão sobre o osso, na ponta e na borda de trás dos ossinhos salientes de cada lado
- dor na base do dedo mínimo, no lado de fora do pé
- deformidade visível, formigamento persistente ou pé frio e pálido
- dor forte que não cede nada nos primeiros dias
Em criança, idoso e em quem tem osteoporose, o limiar para investigar é mais baixo.
os primeiros dias
O objetivo inicial é controlar o inchaço e proteger a região, sem imobilizar mais do que o necessário.
Elevar o pé acima da linha do quadril, em períodos ao longo do dia, é a medida que mais ajuda no inchaço. Gelo por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia, com pano entre o gelo e a pele, alivia a dor nas primeiras 48 horas. Compressão com faixa elástica, firme sem apertar a ponto de formigar, também colabora.
Andar com apoio parcial, dentro do que a dor permite, tende a ser melhor que ficar de repouso absoluto. Carga precoce e tolerável costuma acelerar a recuperação nas entorses sem fratura.
Imobilização longa por conta própria, tipo bota ou tala por semanas sem indicação, é um dos motivos mais comuns de tornozelo que fica rígido e fraco depois. Quem decide o tempo de imobilização é o médico que avaliou.
por que a entorse volta
Aqui está a parte que quase ninguém conta. Boa parte das pessoas que torce o tornozelo torce de novo, e uma parte fica com queixas por meses: sensação de instabilidade, medo de pisar em terreno irregular, dor ocasional, tornozelo que não confia.
O motivo é que a entorse não machuca só o ligamento. Ela afeta os receptores que informam ao cérebro a posição do pé no espaço, aquele senso de posição que corrige o apoio antes de você perceber. Sem esse sistema recalibrado, o tornozelo demora um instante a mais para reagir, e é nesse instante que ele vira de novo.
Recuperar isso não é questão de esperar a dor passar. Exige treino específico de equilíbrio e de força.
onde entra a reabilitação
Passada a fase aguda, a fisioterapia trabalha em etapas: devolver a amplitude de movimento, principalmente a de puxar o pé para cima, que costuma ficar limitada, fortalecer a musculatura da panturrilha e dos músculos que estabilizam o lado de fora do tornozelo, e treinar o equilíbrio em superfícies e situações progressivamente mais exigentes.
Para quem faz esporte, a última etapa inclui corrida, saltos e mudança de direção, porque voltar a jogar sem esse preparo é onde a nova entorse acontece. A sessão dura de 45 a 60 minutos, e quantas serão sai da avaliação.
Vale procurar avaliação quando o inchaço não cede depois de uma semana, quando ainda dói para andar normalmente depois de duas, quando o tornozelo falha em terreno irregular, ou quando essa não é a primeira entorse do mesmo lado.
o que observar nas próximas semanas
Repare em três coisas: se você já consegue apoiar o peso sem mancar, se consegue ficar em pé sobre a perna machucada por alguns segundos com a mesma firmeza da outra, e se subir e descer na ponta do pé ainda dói. Esses três testes simples dizem mais sobre o estágio da recuperação do que o tamanho do roxo, que costuma assustar bem mais do que significa.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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