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Dor no cotovelo ao pegar peso: epicondilite e o que ajuda

Equipe FisioAbreu4 min de leitura

mulher de camiseta preta segurando o antebraço perto do cotovelo
Foto: Kevin Malik / Pexels

Pegar a chaleira cheia, apertar a mão de alguém, torcer o pano de chão, levantar a sacola do mercado. Cada um desses gestos pontua o mesmo lugar: a parte de fora do cotovelo, num ponto ósseo que dói ao apertar. O resto do braço está bem.

Essa é a apresentação clássica da epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista. Apesar do nome, a maioria de quem tem nunca segurou uma raquete.

o que dói, na prática

Os músculos que estendem o punho e os dedos nascem todos num mesmo ponto na face lateral do cotovelo, o epicôndilo. Cada vez que você segura algo com força, esses músculos contraem para estabilizar o punho, e a tração chega naquele ponto de origem.

Quando o esforço é maior ou mais frequente do que o tendão consegue suportar, ele começa a se desorganizar. Não é bem uma inflamação, apesar do nome, e sim uma sobrecarga de tecido que perdeu qualidade. Por isso remédio anti-inflamatório costuma aliviar pouco e por pouco tempo.

quem costuma ter

Pessoas entre 35 e 55 anos, que fazem trabalho manual repetitivo ou que aumentaram de repente a carga nas mãos: uma reforma em casa, jardinagem pesada, começar na musculação sem progressão, semanas de digitação intensa com o punho mal apoiado.

Há também a versão do lado de dentro do cotovelo, a epicondilite medial, ligada aos músculos que flexionam o punho. Dói ao pegar peso com a palma para cima e ao apertar a mão. É menos comum e o raciocínio é parecido.

como saber se é isso

Três sinais costumam vir juntos:

  • dor num ponto bem localizado na lateral do cotovelo, que reproduz ao apertar
  • dor ao levantar objetos com a palma para baixo, mesmo leves, como uma xícara
  • dor ao estender o punho contra resistência, com o cotovelo esticado

Quando a dor é difusa, vem com formigamento no braço ou nos dedos, ou piora ao mexer o pescoço, o cotovelo pode estar recebendo uma dor que nasce em outro lugar. A avaliação diferencia.

quando procurar médico

Cotovelo inchado, quente e vermelho, com dificuldade de dobrar e esticar, não é epicondilite. Dor depois de queda sobre o braço também pede raio-x. E dor que não muda com nenhum movimento, ou que acorda à noite sem relação com esforço, merece investigação.

por que descansar não resolve

Parar de usar o braço alivia, mas o tendão que perdeu qualidade não recupera capacidade só com repouso. Quando a pessoa volta à rotina, a dor volta junto. Esse ciclo de melhorar parado e piorar usando é a razão pela qual a epicondilite se arrasta por meses em muita gente.

O que muda o quadro é o inverso do repouso: carga progressiva. Exercício de força com o punho, começando leve e aumentando aos poucos, dá ao tendão o estímulo que ele precisa para se reorganizar. Tem que doer pouco, não muito, e a progressão precisa ser controlada por quem avalia.

Se o exercício provoca dor forte durante ou aumenta a dor no dia seguinte, a carga estava alta demais. O ponto certo é desconforto leve que passa em minutos.

o que o tratamento envolve

A fisioterapia para epicondilite começa avaliando o cotovelo, o punho e também o ombro e o pescoço, porque um ombro rígido faz o cotovelo trabalhar mais. Na fase de dor mais aguda, técnicas manuais e recursos para alívio dão conforto para começar a mexer. Depois, o eixo do tratamento é fortalecer os músculos do antebraço de forma gradual e revisar o gesto que sobrecarrega.

Braçadeira de cotovelo, aquela cinta que se usa logo abaixo do ponto doloroso, ajuda algumas pessoas a fazer tarefas com menos dor, mudando o ponto onde o tendão recebe a tração. É um apoio para o dia, não um tratamento.

O tempo de recuperação varia muito com o tempo de dor antes de começar. Quadro de poucas semanas costuma evoluir mais rápido que um que se arrasta há um ano.

o que ajustar enquanto isso

Pegue objetos com a palma para cima sempre que der, aproxime o peso do corpo, evite carregar sacola pendurada só nos dedos com o braço esticado. No computador, apoie o antebraço na mesa para o punho não trabalhar no ar. São ajustes pequenos que tiram carga do ponto que dói, sem tirar o braço de uso.

Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.

Quer avaliar isso com um fisioterapeuta?

A avaliação é o que define o plano de tratamento: sem ela, qualquer conduta é chute. A recepção responde no WhatsApp em horário comercial.

FisioAbreu · Responsável técnico: Eduardo Abreu - Crefito 6519-F