
Pegar a chaleira cheia, apertar a mão de alguém, torcer o pano de chão, levantar a sacola do mercado. Cada um desses gestos pontua o mesmo lugar: a parte de fora do cotovelo, num ponto ósseo que dói ao apertar. O resto do braço está bem.
Essa é a apresentação clássica da epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista. Apesar do nome, a maioria de quem tem nunca segurou uma raquete.
o que dói, na prática
Os músculos que estendem o punho e os dedos nascem todos num mesmo ponto na face lateral do cotovelo, o epicôndilo. Cada vez que você segura algo com força, esses músculos contraem para estabilizar o punho, e a tração chega naquele ponto de origem.
Quando o esforço é maior ou mais frequente do que o tendão consegue suportar, ele começa a se desorganizar. Não é bem uma inflamação, apesar do nome, e sim uma sobrecarga de tecido que perdeu qualidade. Por isso remédio anti-inflamatório costuma aliviar pouco e por pouco tempo.
quem costuma ter
Pessoas entre 35 e 55 anos, que fazem trabalho manual repetitivo ou que aumentaram de repente a carga nas mãos: uma reforma em casa, jardinagem pesada, começar na musculação sem progressão, semanas de digitação intensa com o punho mal apoiado.
Há também a versão do lado de dentro do cotovelo, a epicondilite medial, ligada aos músculos que flexionam o punho. Dói ao pegar peso com a palma para cima e ao apertar a mão. É menos comum e o raciocínio é parecido.
como saber se é isso
Três sinais costumam vir juntos:
- dor num ponto bem localizado na lateral do cotovelo, que reproduz ao apertar
- dor ao levantar objetos com a palma para baixo, mesmo leves, como uma xícara
- dor ao estender o punho contra resistência, com o cotovelo esticado
Quando a dor é difusa, vem com formigamento no braço ou nos dedos, ou piora ao mexer o pescoço, o cotovelo pode estar recebendo uma dor que nasce em outro lugar. A avaliação diferencia.
quando procurar médico
Cotovelo inchado, quente e vermelho, com dificuldade de dobrar e esticar, não é epicondilite. Dor depois de queda sobre o braço também pede raio-x. E dor que não muda com nenhum movimento, ou que acorda à noite sem relação com esforço, merece investigação.
por que descansar não resolve
Parar de usar o braço alivia, mas o tendão que perdeu qualidade não recupera capacidade só com repouso. Quando a pessoa volta à rotina, a dor volta junto. Esse ciclo de melhorar parado e piorar usando é a razão pela qual a epicondilite se arrasta por meses em muita gente.
O que muda o quadro é o inverso do repouso: carga progressiva. Exercício de força com o punho, começando leve e aumentando aos poucos, dá ao tendão o estímulo que ele precisa para se reorganizar. Tem que doer pouco, não muito, e a progressão precisa ser controlada por quem avalia.
Se o exercício provoca dor forte durante ou aumenta a dor no dia seguinte, a carga estava alta demais. O ponto certo é desconforto leve que passa em minutos.
o que o tratamento envolve
A fisioterapia para epicondilite começa avaliando o cotovelo, o punho e também o ombro e o pescoço, porque um ombro rígido faz o cotovelo trabalhar mais. Na fase de dor mais aguda, técnicas manuais e recursos para alívio dão conforto para começar a mexer. Depois, o eixo do tratamento é fortalecer os músculos do antebraço de forma gradual e revisar o gesto que sobrecarrega.
Braçadeira de cotovelo, aquela cinta que se usa logo abaixo do ponto doloroso, ajuda algumas pessoas a fazer tarefas com menos dor, mudando o ponto onde o tendão recebe a tração. É um apoio para o dia, não um tratamento.
O tempo de recuperação varia muito com o tempo de dor antes de começar. Quadro de poucas semanas costuma evoluir mais rápido que um que se arrasta há um ano.
o que ajustar enquanto isso
Pegue objetos com a palma para cima sempre que der, aproxime o peso do corpo, evite carregar sacola pendurada só nos dedos com o braço esticado. No computador, apoie o antebraço na mesa para o punho não trabalhar no ar. São ajustes pequenos que tiram carga do ponto que dói, sem tirar o braço de uso.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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