
A fisgada vem de repente, no meio de um pique no futebol, de uma arrancada na corrida ou de um passo mais largo para alcançar a bola. A pessoa leva a mão atrás da coxa e para. Daquele momento em diante, correr não dá mais, e às vezes nem caminhar direito. Esse é o quadro típico de uma distensão muscular.
o que acontece no músculo
Distensão é uma lesão das fibras do músculo, geralmente quando ele é esticado e contraído ao mesmo tempo, com força. Atrás da coxa ficam os isquiotibiais, os músculos que dobram o joelho e estendem o quadril. Eles são os mais atingidos em esportes com arrancada. Na frente da coxa, o quadríceps costuma se lesionar em chutes e saltos.
A lesão pode ser pequena, com poucas fibras afetadas, ou maior, com rompimento parcial e, em casos raros, completo. O tamanho muda o tempo de recuperação, e não dá para saber só pela intensidade da dor no primeiro dia.
como reconhecer
Os sinais mais comuns:
- dor súbita e localizada durante um esforço, às vezes com sensação de estalo ou pedrada
- dificuldade para continuar a atividade
- dor ao alongar ou contrair o músculo
- inchaço e, depois de um ou dois dias, mancha roxa que pode descer em direção ao joelho
A mancha roxa assusta, mas é sangue do músculo lesionado que desce pela gravidade. Ela sozinha não indica gravidade.
os primeiros dias
Nas primeiras 48 a 72 horas, o objetivo é não piorar a lesão e controlar a dor.
Proteger o músculo é o principal. Isso significa parar a atividade na hora e evitar o que provoca dor forte: correr, alongar, pegar peso. Caminhar dentro do que é confortável costuma ser liberado. Muletas podem ajudar se mancar for inevitável.
Gelo por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia, com um pano entre ele e a pele, ajuda a aliviar a dor. Uma faixa elástica pouco apertada e a perna elevada quando estiver sentado podem reduzir o inchaço.
Algumas coisas costumam atrapalhar nessa fase:
- alongar o músculo lesionado para "soltar"
- massagem forte em cima da lesão
- voltar a testar a corrida no dia seguinte para ver se passou
- calor local logo nos primeiros dias
Remédio para dor deve ser orientado pelo médico, principalmente em quem já usa outros medicamentos.
depois da fase inicial
Passados os primeiros dias, repouso total deixa de ajudar. O músculo se recupera melhor quando volta a receber carga, só que de forma gradual e dentro do que ele tolera. Movimento leve sem dor, depois contrações sem alongar, depois força com o músculo cada vez mais esticado, e por último corrida, mudança de direção e arrancada.
Essa progressão é o que separa a recuperação que dura da distensão que volta. Músculo que lesionou uma vez tem mais chance de lesionar de novo, principalmente quando a pessoa retorna ao esporte assim que a dor do dia a dia passa, sem ter recuperado a força. Na fisioterapia, o trabalho segue essas etapas e cada avanço depende de testes de força e de movimento, não só do calendário.
quando procurar médico
Procure atendimento médico se ouviu um estalo forte e não consegue apoiar a perna, se aparece um afundamento visível no músculo, se o inchaço é muito grande ou se a dor não deixa caminhar.
Lesões maiores, especialmente perto de onde o músculo se prende ao osso do quadril, podem precisar de exame de imagem e, às vezes, avaliação de ortopedista. Dor na panturrilha com inchaço e calor, sem trauma claro, também pede médico, porque pode ter outra origem.
quando dá para voltar ao esporte
Não existe prazo fixo. Uma lesão pequena pode permitir retorno em poucas semanas, uma maior pode levar alguns meses. Os critérios mais úteis são práticos: força parecida entre as duas pernas, alongamento sem dor, corrida em velocidade sem desconforto e confiança para arrancar e frear.
Quem volta antes disso costuma sentir a fisgada de novo, no mesmo lugar.
o próximo passo
Se a fisgada aconteceu agora, pare, proteja a perna e observe como ela evolui nos primeiros dias. Se houver sinal de lesão maior, procure o médico. E quando a dor do dia a dia melhorar, lembre que o músculo ainda não terminou a recuperação: é a fase de força e retorno gradual que evita a próxima distensão.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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