
Você fecha a mão e, ao abrir, um dedo fica para trás, dobrado. Aí ele solta de uma vez, com um estalo, às vezes doendo. Esse é o padrão do dedo em gatilho, e o nome vem justamente desse movimento de gatilho de arma. É mais comum no polegar, no anelar e no dedo médio, e costuma ser pior de manhã.
o que acontece dentro do dedo
Os tendões que dobram os dedos correm por dentro de uma espécie de túnel, a bainha do tendão. Ao longo desse túnel existem faixas que mantêm o tendão colado ao osso, chamadas polias. Elas funcionam como os anéis de uma vara de pescar, que seguram a linha no lugar.
No dedo em gatilho, a primeira polia, que fica na base do dedo, na altura da palma, fica espessa e apertada. O tendão também pode engrossar e formar um pequeno nódulo. O nome técnico é tenossinovite estenosante: inflamação da bainha do tendão com estreitamento da passagem.
Quando o nódulo precisa passar por uma passagem estreita, ele engancha. O dedo trava dobrado, e só solta quando a força vence o atrito. Daí o estalo.
como costuma começar
No início, muita gente sente só um incômodo na palma, na base do dedo, e uma rigidez matinal. Às vezes dá para sentir com o dedo da outra mão um carocinho que se move quando o dedo dobra e estica.
Com o tempo, o enganche aparece. Primeiro de manhã, depois ao longo do dia. Em quadros mais avançados, o dedo pode travar dobrado e só abrir com ajuda da outra mão, ou deixar de dobrar completamente.
A piora de manhã tem explicação: durante a noite, a mão tende a ficar fechada e parada, e o tendão e a bainha ficam mais rígidos.
quem tem mais chance
Entre os fatores mais associados ao dedo em gatilho estão:
- atividades com preensão forte e repetida, como uso de ferramentas, tesoura de poda, alicate, segurar volante ou guidão com força
- diabetes
- artrite reumatoide e outras doenças inflamatórias
- hipotireoidismo
- já ter tido em outro dedo
Também aparece em quem não se encaixa em nada disso. Nem sempre há uma causa clara.
o que ajuda
O tratamento depende do tempo de evolução e do quanto o dedo trava. O médico (ortopedista ou cirurgião de mão) avalia e define o caminho, que pode incluir medicação, infiltração ou, nos casos em que o dedo segue travando, um procedimento para liberar a polia.
A fisioterapia atua principalmente nas fases iniciais e intermediárias, e também depois do procedimento, quando ele é feito. O trabalho costuma incluir:
Repouso relativo do movimento que irrita. Não é imobilizar a mão inteira, e sim reduzir a preensão forte e repetida que mantém a inflamação. Isso pode significar trocar o cabo de uma ferramenta por um mais grosso, alternar a mão, fazer pausas.
Órtese, uma tala pequena e leve que mantém o dedo esticado, muitas vezes usada à noite. Ela evita que o dedo passe a noite dobrado, o que tende a reduzir a rigidez e o enganche da manhã. O tipo de órtese e o tempo de uso são definidos na avaliação.
Exercícios de deslizamento dos tendões, movimentos suaves que fazem o tendão correr dentro da bainha sem força. Calor local antes dos exercícios, quando o médico não tem contraindicação, costuma deixar o movimento mais fácil.
Na fisioterapia, a avaliação olha também o punho, o antebraço e o jeito como a pessoa usa a mão no trabalho e em casa, porque é aí que a sobrecarga costuma estar.
o que não fazer
Forçar o dedo a destravar com tranco, repetidas vezes, para "soltar" o tendão. Isso irrita ainda mais a polia. Se o dedo travou, solte com calma, com a ajuda da outra mão se precisar, e evite ficar repetindo o movimento para ver se ainda trava.
Exercício por conta própria que provoca dor também não ajuda. Se doer, pare, e deixe que o profissional ajuste.
quando procurar o médico logo
Dedo inchado, vermelho, quente, com dor forte ao tentar esticá-lo, principalmente depois de um corte, picada ou ferimento, pode ser infecção na bainha do tendão. Isso pede atendimento no mesmo dia.
Também vale avaliação sem demora quando:
- o dedo travou dobrado e não abre mais, nem com ajuda
- há formigamento ou perda de força na mão
- vários dedos travam ao mesmo tempo, com dor e rigidez nas articulações
o próximo passo
Dedo em gatilho no começo, com enganche leve e ocasional, costuma responder melhor ao tratamento do que um dedo que já trava várias vezes ao dia há meses. Por isso não vale esperar até ele travar de vez. Observe em que momento do dia ele trava e quais atividades pioram, e leve essa informação à consulta.
Conteúdo informativo, escrito pela equipe da FisioAbreu. Não substitui a avaliação de um fisioterapeuta ou médico. Se a dor for intensa, persistente ou vier acompanhada de febre, perda de força ou formigamento, procure atendimento.
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